A nova geração dos grandes baixistas brasileiros

Uma das grandes piadas no meio musical – e que, infelizmente muita gente leva a sério – é relativa a uma hipotética descrença na importância de um baixista dentro de uma banda. É claro que isto é um absurdo total, pois é justamente o baixista quem determina as tonalidades de uma composição, não importa o gênero.

É óbvio que, mesmo já tendo sido editor de uma revista especializada no assunto, a Cover Baixo, meu intuito aqui não é demonstrar por meio de explicações técnicas o quanto um contrabaixo é importante em uma banda e mesmo em uma orquestra. Até penso em fazer uma matéria neste espaço abordando grandes baixistas do passado e do presente, mas hoje vou escrever e mostrar a você alguns nomes que têm um brilhante futuro pela frente dentro da música brasileira e, por que não escrever isto em tempos de internet, do próprio universo musical mundial.

A você que tem um especial apreço pelo som deste belo instrumento, sugiro que acompanhe os trabalhos destes caras com o máximo de atenção...

FABIO ZAGANIN
Já bastante conhecido no meio “baixístico”, este ótimo instrumentista, compositor e professor está lançando seu primeiro disco solo, Rumble Fish, cujas faixas soam como uma mistura de Stanley Clarke com Alan Holdsworth. Uma delas, “King Crepax”, é um bom exemplo disto:

 

JJ FRANNCO
O baixista da banda de Jorge Ben Jor tem um disco solo, À Vontade, em que exibe uma faceta igualmente suingada e bastante puxada para o soul, mas com indefectíveis pitadas da boa e velha MPB. Dê uma ouvida atenta na sacolejante “Verão”:

 

ADRIANO CAMPAGNANI
Este excelente baixista mineiro é muito mais do que integrante da banda de apoio do Kid Abelha. Dono de um trabalho autoral de alto nível, ele tem em seu DVD Galápagos todas as credenciais que lhe permitem figurar no panteão dos grandes baixistas da América Latina. Não acredita? Veja então o que ele faz em "Fim do Mundo":

 

DUDU LIMA
Tendo já tocado nas bandas de Milton Nascimento e Fagner, este outro baixista mineiro também tem uma discografia solo de respeito. Excepcional arranjador, ele mostra em seu DVD Ao Vivo no Cine Theatro Central como unir de maneira brilhante grandes clássicos da música brasileira de todos os tempos – “As Rosas Não Falam” (Cartola), "O Ronco da Cuíca" (João Bosco/Aldir Blanc) e “Brasileirinho” – de uma maneira absolutamente genial e personalíssima:

 

ROGERIO BOTTER MAIO
Outra referência quando se fala em “contrabaixo brasileiro”, este já veterano instrumentista já tocou com estrelas de primeira grandeza do jazz, como Lionel Hampton, Gerry Mulligan, e com quase todas as grandes cantoras brasileiras, como Leny Andrade, Jane Duboc e Ná Ozzetti. Seus dois discos solo, Prazer da Espera (2006) e Tudo por um Ocaso (2009), são simplesmente acachapantes para quem aprecia a música brasileira instrumental. Veja abaixo uma de suas belas composições, “Outono”:

 

VAGNER FARIA
Também mineiro, este baixista tem sido uma das grandes sensações da nova safra de mestres das cordas graves no Brasil. Seu disco Além do Olhar é permeado por uma surpreendente delicadeza harmônica, melódica e rítmica, características encontrada apenas nas estrelas veteranas do instrumento. Saca só o som do cara: