Um pouco do Lapa Jazz e do Niteroi Jazz

Dia 28/11 - Lapa Jazz Festival - Fundição Progresso

Estava bastante curioso sobre como seria organizado um evento de jazz na enorme estrutura indoor da Fundição, já que lá é uma arena para 5 mil pessoas, mas inteligentemente eles vem usando o hall do andar de cima para festas e eventos, e o festival está rolando numa ilha palco em forma de losango no meio do hall, então todos tem visão dos músicos de qualquer lugar do enorme salão, e até uma área com cadeiras e mesas está disponível mas o pessoal fica em pé mesmo, ou sentado nos degraus que dão acesso ao salão.

Que surpresa maravilhosa a apresentação do Pó de Café Quarteto, formação jazzista de Ribeirão Preto. Na verdade foi um quinteto, com a inclusão do trompetista Marcelo Rocha. O repertório se concentrou no ótimo disco homônimo lançado este ano, de composições próprias, com a inclusão de uma sensacional versão de "Vento Bravo", de Edu Lobo e um tema de Horace Silver. Foram bastante sóbrios nos solos, conscientes do tempo curto, vieram para dar o seu recado sem demonstrações de virtuosismo e foram muito bem sucedidos na proposta. O que me impressionou foi que mesmo com um "sotaque" de música brasileira essa é uma formação de jazz, o que me agradou muito. Como tem música boa no interior, não? Agendem o Pó de Café Quarteto quando estiverem em algum bar ou festival pelo interior, vcs não se arrependerão.

Com trocentos anos de estrada e uma milhagem de horas de voo de fazer inveja a comandantes de aeronaves, o Azimuth entrou no palco acrescido do também bastante experimentado saxofonista Zé Carlos Bigorna. Como era de se esperar o desfile de temas mais conhecidos ou de qualquer coisa que eles toquem vem com uma pegada muito agradável de ouvir e caiu como uma luva naquele espaço tão generoso com os ouvintes. Eles editaram um disco, uma coletânea que chamaram de "By Request", provavelmente um roteiro já que quase tudo ali está no show. O final como não poderia deixar de ser, a canção "Linha do Horizonte" teve coro de todos os presentes, um momento muito bonito.

Leo Gandelman trouxe uma banda nova para o festival, uma rapaziada jovem mas bastante competente, e como convidado o grande músico Serginho Trombone. Leo tocou material de seu último disco, um repertório bastante parecido com seu set de Rio das Ostras esse ano. Como sempre usou de sua enorme empatia com o público, e foi praticamente obrigado a fazer mais um bis, no qual tocou "Maracatu Atômico", de Gil, mas seu formato aqui foi inspirado na versão de Chico Science, com direito a reger o coro da plateia e tudo o mais, ficou 10! Nós já íamos saindo e tivemos que voltar! Muito boa a abertura do festival, que vai rolar nas próximas quintas 05 e 12/12. Fiquem atentos.


Dia 29/11 - Niteroi Jazz Festival - Teatro Popular de Niteroi / Fundação Oscar Niemeyer

De cara o teatro é um acerto daqueles, nem vou falar muito, vejam nas fotos. A destacar a genialidade do projeto de Niemeyer, que deixou uma parede lateral construida como uma colmeia vazada protegida por vidro fumê, formando um janelão com vista para a baía de Guanabara, um detalhe de genio. E o lugar tem boas cervejas no cardápio.

Alguns amigos da nossa turma já conheciam o baixista Vagner Faria, de fato o Gustavo, o Sylvio e a Jeane estiveram em sua apresentação em Rio das Ostras, mas para mim foi uma surpresa. Um set que começou tranquilo, bem sóbrio e terminou com uma cadencia avassaladora, os mineiros de BH desfilaram o repertório do disco "Além do Olhar", que os credenciou ao festival Rio das Ostras. A pegada fusion com sotaque dos sempre maravilhosos músicos mineiros agradou até as gaivotas que estavam na orla. Foram aplaudidos de pé pela galera.

Depois veio o set do também mineiro de BH, o guitarrista Juarez Moreira, o motivo da minha travessia nas barcas. Com seu jeito elegante e muito bom gosto no dedilhar, ele começou no violão mas logo passou para uma semi-acústica e despejou seu fraseado que sempre encanta todo mundo que esteja presente. Com seu eficiente trio, Kiko Mitre no baixo e o batera Neném (que vimos semana passada com o Sagrado Coração da Terra) desfilou seu ótimo repertório e ainda trouxe como convidados de luxo, Guinga e Paula Santoro, que com sua voz maravilhosa encantou todo mundo. Maravilha de set!

No intervalo vi que o mundo estava desabando lá fora, chovia muito, mas ainda tínhamos a visão da baía e a constelação de luzes do Rio e da ponte. Não pude esperar o terceiro set e peguei a barca de volta pro Rio.